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Por que você não deve fazer álcool em gel caseiro?

Atualmente, o mundo encontra-se em um momento de alerta e de cuidados. A fim de esclarecer dúvidas importantes sobre esta pandemia, esse post irá trazer informações sobre o que é o COVID-19, a importância de utilizar o álcool em gel como prevenção, e o porquê de não tentar reproduzir em casa este tipo de substância.


O que é esse novo coronavírus?


O coronavírus é uma família de vírus que causam infecções respiratórias, o qual foi descoberto em 31/12/19 após casos registrados na China. A maioria das pessoas se infecta com o coronavírus comum ao longo da vida, sendo as crianças pequenas mais propensas a se infectarem, onde os que mais infectam humanos são o alpha coronavírus 229E, NL63 e beta coronavírus OC43, HKU1.

Além disso, esse vírus tem um período de incubação (tempo que leva para os primeiros sintomas aparecerem) de 2 a 14 dias. Dessa forma, a disseminação do vírus entre seres humanos ocorre através de gotículas de saliva, espirro, catarro, tosse, aperto de mão, abraço e contato com objetos previamente infectados.

Os principais sintomas, após o período de incubação, são: febre alta, tosse seca e dificuldade de respirar.


Portanto, a fim de combater o contágio desse vírus, o Ministério da Saúde orienta cuidados básicos para reduzir o risco geral de contrair ou transmitir infecções respiratórias agudas, como o coronavírus. Entre as medidas estão lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por pelo menos 20 segundos, e se não houver água e sabonete, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool, como o álcool em gel; evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas; evitar contato próximo com pessoas doentes; ficar em casa quando estiver doente ou com qualquer suspeita; cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel e jogar no lixo; e limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com frequência.


Qual a importância de se utilizar o álcool em gel comercializado?


Nota-se que muitas pessoas estão à procura do álcool em gel, e por conta disso, a disponibilidade de produtos está decaindo, ao passo que o preço está aumentando. Assim, há algumas formas de reproduzir o álcool em gel em casa ineficiente, que estão circulando em mídias sociais, e tornando a propagação do vírus mais rápida.


Para entender melhor o porquê da produção caseira do álcool em gel é ineficaz, é importante salientar que o álcool 70% possui uma concentração ótima para o efeito germicida, pois a desnaturação das proteínas do microrganismo faz-se mais eficientemente na presença da água, a qual facilita a passagem do álcool para dentro do micro-organismo, e também retarda a volatilização do álcool, permitindo maior tempo de contato.

Na área da saúde, o termo álcool se refere, além do etanol, ao 2-propanol (álcool isopropílico ou isopropanol), que também possui propriedades germicidas relevantes.

Por conta disso, vale ressaltar que em primeiro lugar, o álcool destrói a membrana celular externa por desidratação, pois ele é higroscópico e hidrofílico. Em segundo lugar, as moléculas de álcool penetram no citoplasma e, como resultado, precipitam as proteínas levando à desnaturação. Em terceiro lugar, causa coagulação de enzimas responsáveis por atividades celulares essenciais. Dessa forma, quando se utiliza etanol absoluto (99,8%), ocorre uma coagulação extremamente rápida, não havendo penetração no interior da célula e, portanto, não matando o microrganismo. Essa atuação ineficaz ocorre devido à rápida volatilização do etanol nessa concentração.

O álcool em gel é mais adequado para aplicação sobre o corpo, pois apresenta uma textura mais agradável e sua aceitação pelos usuários é maior. O álcool líquido escorre mais facilmente e, na teoria, poderia induzir menor efeito antimicrobiano. Para que o produto tenha ação de combate ao vírus é necessário que a sua concentração esteja entre 60% e 80%. Então, na suposta receita caseira seria preciso realizar um cálculo para garantir uma concentração adequada de álcool no produto.

Além disso, muitas receitas utilizam calor, o qual aumenta o risco de o álcool entrar em combustão e causar alguma explosão inesperada, e dependendo do que se utiliza como espessante, ao invés de eliminar microrganismos pode-se ter um efeito de potenciação, por isso que deve-se utilizar apenas o álcool em gel feito por profissionais capacitados e aprovados.


Portanto, não há a necessidade exacerbada de ir atrás de álcool em gel, pois a lavagem correta das mãos é a forma prioritária de deixar as mãos higienizadas e livre de microrganismos infecciosos.

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Atom Jr.

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